|
|
 |
 |
|
x
|
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
|
A Questão da Cor
|
|
|
|
O enfoque tradicional Desde os primeiros tempos na pintura, ouço falar na questão da temperatura das cores - Cores quentes e cores frias; cores quente para o primeiro plano, e cores frias para o fundo... luzes em cores quentes e sombras em cores frias... Assim, ao longo dos tempos os artistas tem se referido aos amarelos, vermelhos e laranjas como sendo cores quentes, e aos verdes, azuis e violetas como cores frias. Falando da luz ou de pigmentos, falando da paisagem ou de sua expressão em suas pinturas, os artistas sempre seguiram esta convenção, e para mim tudo estava certo! Claro! As cores quentes lembram o fogo, o calor, o verão, enquanto que as frias lembram o gêlo, as longínquas montanhas, a neve, as sombras das florestas, a humidade... Mas, conforme comecei a trabalhar com fotografia, e nos últimos anos, com fotografia digital, os problemas do “balanço do branco”, ou em inglês, “white balance”, que quer dizer o controle e a compensação da luz ambiente, começaram a se tornar importantes, e a medida da temperatura da cor, também. É importante neste ponto lembrarmos que estamos falando de cor “luz”, e não cor “pigmento”, ou seja, muito mais da cor resultante da soma (quando consideramos o somatório de cores num tratamento RGB, por exemplo), do que da cor resultante da subtração que acontece quando aplicamos um pigmento em uma superfície, e o mesmo absorve todas as cores, a não ser aquela que determina a sua cor final. É engraçado pensarmos que um pigmento da cor azul é tudo menos esta cor - Ou seja, absorve para si todas as outras cores do espectro, rejeitando somente o azul, o qual reflete, e que é o que vemos afinal.
|
|
|
A cor na escala Kelvin
|
|
|
|
 |
|
|
|
A tempera da cor é um conceito que vem da física, e é baseado na idéia de que um corpo não reflexivo (de cor preto fosco, p.ex.), emite radiações quando é aquecido. Imagine que este corpo se comporta como uma resistência elétrica, e tal como as resistências que conhecemos, começa a emitir radiação quando é conectado à uma corrente elétrica e tem sua temperatura elevada. Inicialmente, a resistência emite radiação num espectro de luz que não enchergamos, que é a faixa do infravermelho, uma faixa de radiação muito mais próxima do calor do que da luz. Conforme aumenta a temperatura (que é a agitação das moléculas do corpo em questão), começa a ser emitida uma radiação que já é visível aos olhos humanos, primeiramente no espectro do vermelho, depois no do laranja e do amarelo. Conforme a temperatura continua a aumentar, a cor também se altera, continuando pelo espectro do verde, do azul, do violeta, até que afinal entra novamente numa faixa invisível aos olhos humanos, que é o ultra-violeta (e que tanto mal nos faz, conforme já sabemos hoje em dia). Os cientistas identificam a cor da luz tomando como referência este corpo negro, e da luz que o mesmo emite quando começa a ser aquecido. Esta medida é expressa em graus Kelvin, cuja escala começa em um zero absoluto equivalente ao absoluto repouso das moléculas do corpo em questão. Para se ter uma idéia, os tipos de luz encontrados de forma mais comum são o da luz incandescente, destas que usamos em nossas casas, cuja medida na escala Kelvin seria entre 2.600 a 3.000 graus Kelvin (cuja notação seria de 3000º K). As lâmpadas utilizadas para fotografia estariam na faixa de 3.400-3.600° K, e a luz do sol em torno de 5.000-5.500º K, em torno do meio dia. Veja abaixo uma tabela com os valores kelvin para alguns tipos de luz mais comuns: Como pode ser visto entâo, as cores que consideramos como “quentes”, talvez como um atavismo ligado à nossas origens e à nossa percepção do mundo são em verdade as que tem a temperatura mais baixa na escala Kelvin, acontecendo esta mesma inversão para as cores que consideramos “frias”, e que são a luz irradiada quando o corpo tem a sua temperatura cada vez mais elevada. Na prática, costumo equilibrar o branco de minha máquina digital comparando o que vejo em seu visor, com o que os meus olhos veêm diretamente do ambiente. E é claro, as dicas da regulagem ajudam muito, quando sugerem ajustes para luz incandescente, fria, luz do dia, sombras, etc, ou quando nos permite fazer um ajuste gradual do balanço do branco. É claro que para o fotógrafo que trabalha com cromos (slides), ou que se utiliza de iluminação artificial para fazer suas fotos, a medição correta da temperatura da luz é essencial, e para isto se utiliza de equipamento específico para fazer esta medição. No mais, esta coisa toda serve para demonstrar que os cientístas pensam de uma maneira completamente inversa à do artista...
|
|
|