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Terça-feira, Maio 23, 2006

Aprontações Domésticas

Quando os bichos falavam, a gente podia jogar bola na rua, ficar de bobeira namorando até tarde, etecetera, etecetera.
Mas até meus onze anos, não tinha esse negócio de rua. Éramos onze irmãos, a casa era grande, e o quintal suficiente para aprontação.
Fora de casa, só o colégio, onde as amizades eram outras e geravam de vez enquando idas ou vindas de guris que entravam na farra geral.
Mas quanta aprontação!
As que explodiam mesmo eram as feitas dentro de casa, e que garantiam um carimbo na bunda assim que papai chegasse.
Não esqueço da cerimônia:
- Papai, com cara de fastio, mandava que ficassemos em fila por ordem de idade, e ia pregando cintada na bunda. Começava pelo mais novo, que levava uma, terminando com o mais velho que levava seis (Eu sei, eu sei! A conta não fecha, mas é porque haviam cinco meninas e estas não entravam nas reinações).
Eu era o quinto na fila, e portanto levava as regulamentares.
Mas havia uma certa justiça na estória porque, quando chegava na minha vez, papai já tinha distribuido dez cintadas, e a possível raiva já tinha diminuido e o cansaço do braço aumentado, de formas que nunca fiquei com ardores bundais maiores que o suportável, e nada que não me deixasse sentar.
No mais, papai era um coração mole, de maneira que aquelas surras eram meio esculhambadas...

posted by Oswaldo Pullen @ 10:31 PM  

 

 

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Dos Tratantes
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Dos Enganos, Tretas e das Burlas
Das Tretas, ainda...
Tretas e Correlatos
(continuação)

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