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O lixo de alguns é o tesouro de outros...
O impressionismo francês foi o resultado de diversas influências e impactos de um mundo que se transformava, aos olhos dos cidadãos do século XIX, com excessiva velocidade. Os trens e as estações se introduziam na vida de todos como uma realidade inescapável, assim como todos os produtos da revolução industrial que então acontecia, em contradição aos parâmetros de uma Academia que já não representava a super-realidade que alimenta os artistas. Todavia, um elemento alienígena, com sua composição dramática, assimétrica e suas fortes diagonais compôs também o conjunto de vetores que vieram a redundar na resultante do impressionismo. Este elemento foi a gravura japonesa, que influenciou Degas, Manet, Van Gogh, Toulouse Lautrec e outros da época. Este componente entrou nesta equação por acidente, com o início das exportações do Japão para a Europa. Estas exportações tinham como importante elemento as frágeis louças japonesas, que precisam vir envoltas em papel para sobreviverem até a longínqua Europa. Já dá para adivinhar, não? Usavam como papel para proteção da louça velhas gravuras, descartadas como lixo. De uma forma ou de outra, este material veio a terminar na mão dos impressionistas, importado e reproduzido por editores que viram nisto uma outra forma de arte, tão importante quanto a louça que envolviam. Assim, como já disse o título, o que é lixo para alguns, é um tesouro para outros...
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