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A Pintura, a História e João Câmara
A História se contempla. Talvez, desta forma, consigamos descrever o processo da descrição pictórica que acontece durante e depois dos acontecimentos com alguma importância histórica. Até a Primeira Grande Guerra (1914-1918) era comum o envio de artistas para documentar as batalhas e as ações pretensamente de heroísmo. Não havia ainda a figura do correspondente de guerra, e os fatos eram sempre traduzidos por sua versão oficial, já que os artistas eram contratados pelas forças combatentes. A segunda forma de registrar a história, também de maneira facciosa, eram as pinturas encomendadas pelos reis e imperadores que queriam comemorar os seus grandes feitos, normalmente se colocando como heróis e fator determinante nos acontecimentos que lhes interessava perenizar. Vejam, por exemplo, os quadros encomendados por Napoleão, para comemorar os seus feitos. Dentro desta categoria, eu também colocaria quadros como “O Grito do Ipiranga”, de Pedro Américo ou “A Batalha dos Guararapes”, de Victor Meireles, ambos obras monumentais, mas que representavam o ponto de vista oficial sobre estes acontecimentos históricos. Por último está a categoria dos que, passado o fulgor e os clarões do momento, passada a influência e o poder dos governantes e dominadores, fizeram a sua leitura, às vezes de forma dramática e contestatória, ou como no caso do pintor João Câmara de maneira isenta e subjetiva, quando construiu a série sobre a era Vargas. Criada entre 1974 e 1976, esta série incluiu dez pinturas e 100 litogravuras. O seu assunto é exatamente Getúlio Vargas e seu período. As obras envolvem cenas da vida pública, e sua interpretação da vida privada e de hábitos da época.
ilustração: Getúlio Vargas - João Câmara
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