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Gauguin e as ilhas... 
A fantasia secreta de todos nós que vivemos sofrendo com o trabalho, com trânsito, banditismo, e todas as mazelas deste nosso mundo ocidental é escapar para alguma ilha banhada pelo sol e ficar boiando na água azul, deitar na areia, e comer mangas, bananas, caranguejos, lagostas, tomar cerveja e caipirinha pelo resto da vida. O pintor pós-impressionista Paul Gauguin fez exatamente isto há mais de cem anos atrás. Um corretor da bolsa por profissão, e um pintor de fim de semana, ele primeiro tentou viver com seu amigo Van Gogh. Após brigas violentas entre os dois, dado o temperamento instável de Van Gogh e a impertinência de Gauguin, este se “mandou”, para escapar da civilização. Abandonou sua esposa e cinco filhos, e primeiramente foi para o Panamá, daí para a Martinica, e finalmente para a colônia francesa de Tahiti, onde sua existência entre as semi-desnudas e lindas habitantes locais transformaram a sua arte e lhe trouxeram fama pelas exóticas obras primas que mandava de volta para Paris para vender. Tristemente, a “boa vida” estava além de suas possibilidades. Ele tentou suicídio e falhou. Cinco anos depois, afundado em dívidas, morreu de sífilis. A maior parte de sua dívida era para com um rico plantador, que ficou furioso ao saber que Gauguin tinha morrido sem lhe pagar o que lhe devia. Num acesso de estupidez, ele mandou queimar a pequena cabana de Gauguin, e com ela, dezenas de obras primas que valiam na época milhares de francos, e hoje em dia, milhões de dólares...
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