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Mênora

I
Batizo-te assim
pois não te sei nome
ou mantra proscrito
desemboque de abstratos rios
nas cabeceiras do Negro
ou do Solimões

Nem o rosto eu te sei!
(sei-te os olhos
e os imaginários seios)

Nesta noite quase finda
sei-te a flama, as sete
chamas e o teu rosto nos rios
ou nos espelhos, não sei
mas fugidio
quando sempre tardo eu furto
algum reflexo do que já se foi

Longínquo rio este
das sete portas do oráculo tardio
que urge enquanto purga
e assim clama a todos:

- Tempus Fugit!
- Tempus Fugit!

II
Só a noite é breve...

Mênora, a vida é breve.
Mas não a minha
nem a tua
nem a dos companheiros
que sorvem alucinados
o ar cinzento, a luz cinzenta
desta noite de cabeceiras quase vazias
 

a Me, já em 9 de Julho de 2006
 

O-fino-dos-Poemas


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