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Carta que escreve Nosferatu a Rusalii
(Eu fujo. Nas terras de sal, o meu caminho é sujo)
I Traça rumo ou empreitada êrma e gasta esta terra desolada assim chamada, ocidental
Nas terras de sal, o meu caminho.
II Na ária que canta a areia tento lembrar-me de nossa festa fiesta colossal!
Éramos tantos então!
Hoje só, tenho o escudo perfurado e o armamento impróprio de um soldado: - Os meus caninos, ás de espadas e o passo rápido de um retardatário
Tantos foram mortos! Tantos condenados! E, no entanto, tantos concederam na troca fria de consórcios e transações III Do mar, a voz enrouquecida a trama, o marulho
Tardança - Escorrem em meus dedos nas dobras da mão e do punho a areia e a espuma
Tardança - No braço cada grão, o barulho. No rolar das águas nas vagas, o seu pranto que perene, morre a cada instante
Tardança - Nas águas atlânticas calar jamais o mar
IV Fujo mais ao largo
Foi aberta a estação de caça aos poetas, vampiros, libertadores e aos homens de bom senso em geral
- Éramos tantos então!
Muitos se foram nos labirintos escritos em suavíssimos enredos. Nada sofreram. Nem foram mortos
V Nos labirintos do sal um nó do tempo
Ergo o meu escudo lanço flechas ao sol
VI
Neste nó estirado pelas horas perceber é fácil, minha cara amiga
Perceber porquês, ou a razão da traição. Perceber o norte bussolado perceber o caminho traçado rumo às catacumbas onde Rodin, Perls, Heinlein e outros nada esperam em seus esquifes de história, noite e esquecimento
Perceber o bom sangue e o porquê da inanição. Neste caminho bussolado perceber até o nó do tempo o lugar do tempo perceber que se faz dia, e é preciso descansar
VII Na hora em que a noite, enfim perfura janelas de cristal
É possível perceber o porquê do do palácio sempre vago porque ímpio vazio de vampiros e canções
Nesta hora estriada em placas de alumínio anodizado, em ampulhetas ou no paradigma apertado, apesar de difuso do parafuso na cabeça dos que pensam e dos que fazem eu penso penso muito enquanto fujo
Dos lábios fundos deste tempo emasculado eu fujo, rumo ao ventre da noite, ventre amigo e descanso, exausto, em seu flanco oriental.
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