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Rio de Janeiro, verão. Era um puteiro. Não havia a menor dúvida. A rua estava certa, a hora correta, e a casa também. Casa de encosta, típica de bairros como Santa Tereza, onde a inclinação do terreno é aproveitada para elevar a casa uns quatro metros acima do nível da rua. No portão de ferro, junto à escada, um jamanta dum cara, destes capazes de muita simpatia para quem tem grana e não cria problema, e capazes de muita porrada encima de quem veio encher o saco. O rapaz se aproxima, apavorado - tem grana, está com vontade, mas nunca fêz destas coisas. O jamanta olha, e saca que dá para curtir um pouco a cara do freguês novo. "Pois não?" - só o canto da boca sorri. Tudo controlado para deixar o otário congelado. "Poiichch nããoooo?" repete, enrolando e curtindo as duas palavrinhas. Faz-se silêncio, o jamanta bota o maior sorriso, e abre o portão, num convite. O magricela, pois nosso herói, que além de se chamar Rodolfo é magricela e usa camisa abotoada na gola, permanece congelado. Aí, o jamanta, já meio cansado, facilita : "Fica frio, cara! Se você está afim de uma, achou o lugar certo. Aqui pode dançar, pode tomar uns drinques com uma gatinha, e depois, sabe, não é? Tem uma porção de quartos lá encima, tudo de primeira classe..." Verdade revelada, explicitada, nada mais há a fazer. Rodolfo dá um sorriso amarelíssimo, e se esgueira pela escada, em direção à música e ao desconhecido. Nunca fez destas coisas, é um solitário. Mas está cansado da punheta. Punheta no banheiro, na cama, dentro do armário, na janela, punheta com a direita, punheta com a canhota, com creminho, sem creminho, olhando revista, fechando os olhos e imaginando a vizinha dona Fernanda peladinha ("Como é boa!"). Punheta de todo o jeito. O pau está tão viciado que é só chegar a mão perto que êle já fica duro. Para fazer pipi tem que ficar pensando em coisa séria, senão a coisa degringola. Feitas as contas, já que está com vinte e seis anos, e começou a punheta com treze, já tocou nove mil e quatrocentas e noventa punhetas. Isto se a média foi de fato duas por dia. Teve dia que tocou seis. Pior ainda, quando foi passar um fim de semana na casa da tia Mariana. Cruz credo, a Marianinha, sua prima, andava de calcinha e sutiã na frente dele, com aquela intimidade safada de prima. Foram dois dias de punheta desvairada. Ao final, teve que comprar pomada de bunda de nenem, porque estava tudo em carne viva. Portanto, tinha de enfrentar a timidez e ir logo com uma puta. Subiu, e adentrou-se. Tudo escuro. Era a sala de visita da antiga casa. Dum lado um balcão de bar. Do outro, mesas minúsculas com um casais se pegando. No balcão, meia dúzia de meninas de sainha curta, sentadas em bancos altos e de perninhas cruzadas. Entre o balcão e as mesas, uma pista de dança improvisada, com aquelas musiquinhas que rolam em puteiro, em bar de caminhoneiro e em rádio do interior. Apesar da penumbra, nota que todas as meninas olham para êle. Olha também. Fica olhando, e meio que escolhendo. Mas puta é que nem vendedor de sapato. Tem aquele negócio do "da vez", ou seja, para cada um que chega, um vendedor tem a preferência. Se você não quiser ser atendido pelo da vez, pode escolher outro. Mas fica chato, e daí termina sendo aquele mesmo. A não ser se já é freguês de algum, quando então o "da vez" dança. Mas como era novo no pedaço, veio logo a da vêz se aproximando. Paralizia completa. Acha que vai desmaiar. A puta vem se chegando com ar de aeromoça quando traz o segundo uísque. Sorrisão rasgado, mas de saco cheio. Rodolfo, tímido, mas não imbecil, tem um saque que parece milagre e sai de lado. A puta fica puta! "Não faz mal", pensa, e vai direto ao bar. Quer ver uma a uma. Nota que parecem jovens, muito jovens. Dentre elas, uma de peitinho. Saca mulher de peitinho, daqueles do tamanho de uma tangerina? - O sonho do Rodolfo! Pronto, já tinha escolhido! Quando a decuja nota que foi escolhida, não dá chance ao azar e avança! O pobre quase que se mija, mas não corre. "Oi, meu nome é Tereza! Me paga um drinque?" Rodolfo só abre a boca. Não dá para falar. Assim, Tereza já pegou em sua mão, e o puxa para uma mesa. Pegar na mão já disse uma porção de coisas para ela. Mão fria, e molhada de suor. O cara ou é virgem, ou tem problemas. Bem, no caso de nosso herói, ambos são verdade... Rodolfo senta. Tereza, despachada, já puxa uma cadeira, e senta coladinha nele. Afinal, mulher é mulher, e se adona logo. Puxa logo papo. Vai perguntando se é casado, o que é que faz, e coisa e tal. Rodolfo permanece calado. Ela faz um muxocho, e se cala também. Rodolfo gela. "Meu Santinho, o que é que eu faço agora? Eu vim aqui por que não sei chegar, não sei falar. Eu quero é trepar!" Mas Tereza é profissional, e sabe das coisas. O silêncio do freguês deve ser seguramente uma timidez arretada. O jeito é ir botando a mãozinha na perna do fulano, e ver se melhora. "Como é o seu nome?", tenta de novo. "Esta é fácil", pensa, e dá certo. "Rooo-dol-fo!" "Ah, então Dodô fala!" Rodolfo fica meio puto, com aquela de "Dodô". Mas isto é Rio de Janeiro, e carioca é abusado mesmo. E nos entretantos, a mão de nossa menina já subiu pela perna. E se chega no ouvido e pede: "Me chama de Tetê, eu gosto...". Não sei se foi a mão, se foi o bafinho no ouvido, ou se foi o que ela disse, mas Dodô se arreta dum jeito que chega a doer. Está ferrado! Ou vira o pau para cima, ou vai ter uma entorse, já que o pinto, dantes mole, estava para baixo. Não tem jeito. Tem que resolver. E vai descendo a mão para arrumar o pau. Mas a putinha nota, e se adianta, solícita. Desastre total! Com a mão da coitadinha por dentro da calça, e direto no pau, Dodô goza na hora. Goza todo torto, parece que teve um ataque cerebral, fica babando. A menina tem um sustinho. "Eta carinha danado, acho que perdi o meu mixê!", e fica olhando para o rosto do supliciado. "Você é assim mesmo?" pergunta, enquanto limpa a mão. Dodô está com a cabeça balançando entre as mãos.
"Porra, deu tudo errado. Porra, eu queria diferente. Porra, porra!". Tetê, profissional competente, contorna a situação: "Escuta, não apavora! Porque é que não faz como todo mundo e começa só conversando? Pode se abrir - é a primeira vez? Está com medo? Nunca vi ninguém gozar tão fácil! Me conta, o que é que há?" Porque puta que é puta, é, antes de mais nada, psicóloga. Tem das que não quer saber e vem logo com o "não tem xixi minha nêga", e daí você se estrepa, por que dá aquele brancão. Mas Tereza era profissional, e psicóloga por intuição. "Fica assim não... Pode se abrir! É a primeira?" "Ehhh...é." Não tem jeito, a vergonha está exposta. "Então pronto. Você não sabe que todo mundo fica nervoso na primeira vez? Mas você tá comigo, não se preocupe. Olha só em volta, não tem ninguém olhando prá gente!" Dodô olha em volta. Ninguém está nem aí para êles. Começa a relaxar. Tetê continua: "Você não sabe de nada! Tem nêgo que até desmaia, juro! Tem nêgo que sai correndo, vira bicha. Mas você foi logo gozando - Não é legal?" "Ehhh... é... ahhh... mas estou todo me tremendo. Tenho vinte e seis anos e nunca fiz isto!" "Calma, garotão! Você está com a Tetê, já se esqueceu?" Dodô olha maravilhado para aquela menininha lhe falando daquele jeito, e relaxa, sentindo um leve zumbido no pau. "Vem, vem dançar um pouco!" Tetê continua, e pensa: "Pelo menos o cara fala. Quem sabe nem tudo está perdido?" "Dançar? Eu nunca dancei na vida! Não sei dançar!" De novo aquela sensação do dinheiro indo embora. Da bolsa vazia. Tetê não gosta, e não é de perder parada para babaca nenhum! O Panaca vai, e vai de qualquer jeito! "Vem. Não precisa nem mexer os pés. A gente fica só embalando prá lá e prá cá, e tá tudo bem. Vem!" Dodô vai, arrastado. Tetê tem que faze-lo passar os braços entôrno dela. Se gruda toda. A musiquinha está suave, e Dodô vai ficando de olho vidrado. Tetê começa a sentir a coisa dele crescendo por dentro da roupa, e de repente, o desastre! "Não! NÃOOO!" Dodô grita, e começa a revirar os olhos, enquanto se afasta dela. Baba de novo, e cai no chão. É aquele pandemônio, todo mundo corre para acudir. "É epilepsia!" "É a pomba gira!" "É nada! Foi ela que deu um porrão nos ovos dele!" Tetê perde a ação. Fica abismada. "Como é que pode?" "Filha da puta! Gozou de novo, e não vai sobrar nada para o meu michê. Filha da puta, assim não dá!" Mas não fala nada, só pensa. É paciente, está ali para isso... Ajuda o pobre a se levantar e o ampara de volta à mesa. Desta vez, manda vir um uísque para o panaca, e tenta de outra forma. Vai ter que ficar longe um pouco, pois, se não, o cara se acaba, morre desidratado... Dodô, desconsolado, toma o uisquinho. Calado. Não fala nada. Tetê sente que tem que dar um tempo. Afinal, o cara mais velho que ela tinha descabaçado tinha 16 anos, e já tinha achado aquilo um fenômeno! - Dá uma risadinha, e olha, toda ternurinha: "Vem, vou te levar para passar uma água na cara. Vamos lá em cima que o banheiro tá lá." Nosso herói não está nem aí. Já estava tão lascado que nem ligava mais. Punheteiro até hoje, punheteiro até morrer...não tinha jeito. Os dois sobem as escadas, Tetê empurrando, com as duas mãos em suas costas. Fantástica, esta Tetê! Puta é mesmo o ser com mais esperança do mundo, cheia de amor para dar! - Sério, você já viu puta apaixonada? Dizem que dão as melhores mulheres do mundo! Gringo quando vem ao Brasil, se não vem para tomar grana, vem para levar uma puta. Bem, às vezes vem para tomar grana, e termina é mesmo levando uma puta para casa. Puta casada, mulher recatada.Todo mundo sabe. Conheci uma vez uma puta que tinha um noivo estudante de medicina. É claro que o gajo morava em outra cidade, acho que no interior. Pensava que ela era rica, porque bancou toda a universidade dele. Um dia ela sumiu do pedaço. Foi se casar. Fiquei sabendo, algum tempo depois, que tinha se tornado numa "socialitée" na cidadezinha do marido, saindo em coluna social e tudo. Gente fina é outra coisa! Mas a esta altura, Tetê já deve ter terminado de empurrar o seu príncipe pela escada acima, de forma que vamos voltar à nossa estória. "Lavar a cara aonde? Onde é que a gente está indo?" "No banheiro, ué! Você quer lavar a cara aonde?" Tetê, a esta altura, sente que Dodô está mais maneiro. Mais assim-assim, mais acostumado. Tem essa, não tem? O barulho tinha ficado lá em baixo, e ali parecia uma casa mesmo, com corredor, quadrinho na parede e telefone na mesinha de canto. Só que em vez de entrar no banheiro, entraram num quarto. Dodô começa a se tremer todo novamente, revira os olhos e se esborracha no chão... Tetê não acredita. "Não é possível -só porque viu uma cama de casal?" Senta-se na cama, e espera que o campeão se recupere para o próximo round. Dá uns cinco minutos, e nada. Mas não tem essa de achar que o cara morreu não! Se levanta, e como o quarto é em verdade uma suite, entra no banheiro, molha uma toalha, e volta. Ah, e é claro, tranca a porta do quarto para o gracinha não se mandar. Começa a passar a toalha na cara do moribundo. O moribundo, naturalmente, acorda, e parece normal. Meio zonzo, mas normal. "Que foi que houve?" "O teu pau te deu uma porrada na cabeça" "Ô Tetê, não brinca... Você não sabe o que é a vida de um punheteiro!" "Vou lhe dar a pior notícia de sua vida: tranquei a porta, morro de fome aqui dentro, mas não saio enquanto a gente não trepar" "Você ficou doida? Não está vendo que eu sou um incapaz? - Eu bem que tentei, mas eu sou um porra-louca! Não dá prá controlar!" Tetê olha, de beicinho: "Não adianta! Só saio daqui comida!" Dodô argumenta. Tezão que é bom, tinha acabado de tudo. Queria era ir para casa. Tetê começa a desabotoar a blusa dele. Dodô grita, ameaça: "Me larga. Me solta. Vou te dar uma porrada! Sua puta! P-U-T-A, tá sabendo?!" Tetê não larga o seu pedaço. A esta altura já está soltando as franjas da camisa, e começa a puxa-la do corpo magricelo do Dodô. Vai para as calças. Dodô apavora, começa a gritar. "Socorro! Socorro! Estão me estuprando! Larga! Me larga, cão danado! Filha de Satã, me larga que eu sou virgem! - Olha, olha: Eu estava mentindo! Eu não sou punheteiro não, eu sou é padre. Juro! eu sou padre! Se você me estuprar, vai ser sacrilégio!!" Tetê não está nem aí. Continua a trabalhar, tirando as suas calças. - Êle puxa para cima, ela, para baixo. Ao final, ele se cansa, e deixa. Está de cuecas. Larga-se enquanto ela lhe tira as meias, e o derruba na cama. Tetê sobe na cama, e, em pé, com suas pernas estendidas e prendendo as pernas de Dodô, começa a tirar a própria roupa. Para cada peça, a mesma coisa. O homem rola os olhos, fica roxinho, e goza, goza...Tetê tirando e parando, tirando e parando, dando tempo para o Dodô se recuperar. Tudo premeditado. "A última ele vai gozar dentro, ora se vai!" O tempo passa. Nua, parada em pé, Tetê olha para o pálido punheteiro, que já tinha gozado tudo, tudo, tudínho! Nú, estirado, o pau mole, Dodô olha para cima, para os peitinhos de tangerina, num sorriso de abobado. "Agora, o leitãozinho está pronto para ser assado..." E assim pensando, ela se deita, passa os dedos em seus cabelos molhados, e se aconchega em seu corpo. Sobe por cima. Beija-lhe a testa, os olhos, a ponta do nariz. Beija-lhe a boca. Beijinho de irmãzinha. Beija-o de novo. Desta vez, demora um pouco mais. Dodô está trânsido, mas o pau está quieto. Em um novo beijo, êle entreabre a boca, e a lingua dela entra. O pau dá um sinalzinho de vida, mas "Pouco importa", pensa ele, "Isto daí não sobe nunca mais!" E aproveita o primeiro beijo de sua vida. Ela se ajeita encima dele. Abre as pernas, ajeitando o cabisbaixo campeão dentre elas. Agora, Dodô está mais interessado. Abraça Tetê, passando as mãos em suas costas, curtindo tudo... "Santinho! Como é gostosa, como é cheirosa! Parece que minhas mãos tem olhos, e eu vejo cada pedacinho por onde andam! - Olha, Santinho, aqui começa o bumbum!" Tetê se ajeita melhor. Dodô não se dá conta que o campeão já é um tronquinho de novo. Tetê manobra, e o dito penetra suave, manso, terno... Dodô tá que não se entende. Sabe. Mas não compreende. Só sente o calor e a umidade em torno do pau, que duro, já pulsa lentamente. E, lentamente, os dois começam a se mexer... "Ah, pouco importa. Já que nada vai acontecer, me deixa, Santinho, me deixa curtir isto bastante" E se mexem, e se beijam. Dodô revira o corpo, e agora Tetê está por baixo. Se mexem mais rápido. Tetê geme um pouco, arfa. Dodô começa a sentir uma sensação embaixo, embaixo... E vai ficando mais forte, e o campeão mais uma vez luta. Só que desta vez, o faz por causa justa. E os dois se mexem, mexem, corpo no corpo. Dodô endoida. "Santinho, tô sentindo uma coisa, uma coisa, ai, ui, ai!" E aí, goza, goza... Tetê se levanta, e vai ao banheiro. Lá se olha, se admira, cantarola qualquer coisa: "Profissional competente! Puta igual a mim, eu quero ver!" Dodô olha para o teto. Passou. Enquanto se veste, vira-se para o banheiro, e pergunta: "Amor, quanto é que foi o michê?" "São quinhentos! Pode deixar encima da cama!" "Tá bem! Tchau!" "Tchau, vê se volta!" Mas Rodolfo já descia as escadas, e nem ouviu. Na porta da rua, o jamanta olha para o magricelo, e o acha parecido com alguém que já tinha visto antes.
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