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O que quero perguntar mesmo é se os Impressionistas eram todos Impressionistas mesmo... Porque, se relacionarmos os mais conhecidos como Monet, Pissarro, Sisley, Renoir, Degás, Seurat, Signac, Césane, Lautrec, Van Gogh, Gauguin, Redon, Manet, Berthe Morisot e outros, vamos ver que o que de fato tiveram em comum foi viverem na mesma época (segunda metade do século XIX), freqüentarem os mesmos lugares, e terem agredido frontalmente os padrões acadêmicos da época. Aliás, os poucos curadores que incluem Redon nesta entourage, para nós são sifilíticos ou malucos, ou ainda e quiçá, incompetentes... Mais ainda, pintores de geração anterior, como Turner, principalmente, tinham características em sua pintura que, no mínimo, nos levaria a chamá-los de pré-impressionistas. Além de Daumier, por exemplo, que tinha um trabalho muito mais próximo deste grupo, do que dos acadêmicos. As características comumente aceitas como de uma pintura impressionista são a palheta, composta de cores claras, a adesão muito maior à côr do que à forma, com a consequente imprecisão destas mesmas formas, a utilização de cores puras, e, de maneira muito forte, a preferência de motivos ligados a paisagens, urbanas, campestres, ou marinhas que fossem. Além disto, havia a questão da pincelada que era sempre curta. Claramente dentro destas características, eu classificaria Monet, Pissarro, Sisley, Césane,Gauguin em sua fase inicial, e Renoir, em parte de seu trabalho. Os verdadeiros impressionistas, ao final, foram realmente Monet, Pissarro e Sisley, além dos menos conhecidos que seguiram e até os precederam nesta linha, como Jongkind, Bazile, Guillaumin, e outros. Manet se distancia dos acadêmicos muito mais por sua temática realista do que pelas características que vincaram o impressionismo. A sua pincelada já não se esconde com o glasée acadêmico, e suas figuras assumem vida própria, de maneira muito diferente das idealizações mitológicas, religiosas ou históricas da época. Nota-se também a impregnação da cor mais pura do que os padrões castanhos da academia. Tal como Delacroix, que se preso ainda à temática idealista, já começa a explodir em cor Seurat e Signac ficaram na história por seu trabalho científico, que resultava numa pintura pontilhista. Trabalhavam usando a teoria de que deveriam representar cores secundárias e terciárias por um conjunto de pontos com cores primárias. Assim, querendo representar o laranja, preenchiam a área destinada a ter tal cor, com pontos vermelhos e amarelos, misturados, considerando que sua integração (como um laranja) se daria na retina do observador. Os seus trabalhos eram um primor de composição (Seurac, principalmente), mas, sem naturalidade. As figuras de Seurat são idealizadas, quase que bonecos. Em nosso entender, a pintura pontilhista é, afinal, monótona. .. O trabalho de Van Gogh também se distancia destes padrões restritos. Algumas vezes, o contorno se torna preciso, e a utilização da linha é farta. Não tem medo nem dos negros, nem dos castanhos (vide a série dos Comedores de Batatas). Junto à completa liberdade na utilização de cores, Van Gogh usa a linha de maneira muito forte para determinar as formas. Do maneirismo impressionista, mantém a pintura ao ar livre, e a velocidade de execução. Assim, como Daumier e Turner podem ser considerados como precursores do impressionismo, Van Gogh precede o fauvismo em alguns momentos e em todos, o expressionismo. Gauguin, cujos primeiros trabalhos são fervorosamente impressionistas, começa, a partir de 1880 a derivar para seu próprio rumo, já assumindo no final desta década expressão bastante própria, se afastando da leitura das paisagens ao ar livre, e caminhando para o laboratório simbolista, tão característico de sua fase Tahitiana. Redon era um simbolista puro. Para nós, pai de Gustav Klimt, Franz von Stuck e do movimento simbolista em geral. E avô de Egon Schiele... Quanto a Lautrec e Degás, têm para nós um percurso parecido, com um tratamento aproximado das figuras, tendo Degás alinhado com a sua temática das bailarinas, e Toulouse com a noite Parisiense. Já com as artes gráficas em ascensão, e a contaminação do design industrial pelas artes, Toulouse se não tivesse morrido prematuramente, seria com certeza um dos páramos da Art Nouveaux.
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