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A perigosa Baby Ruby
Ruby Hannibal Himmler, mais conhecida como Baby Ruby nos meios criminosos e policiais, não era mulher que deixasse por menos. Extremamente simpática aos amigos, adepta do chá das cinco e do crochê, comandava extensa organização, que já se infiltrava no jogo, licitações públicas e prostituição. Droga não era o negócio dela: - Deixa todo mundo abestado! É muito mais construtivo um menor ficar batendo carteiras do que cheirando cola pelos cantos! - Mas Dona Baby... - Queridinha jornalista, me chame só de Baby, e vem cá sentar no colo da titia... - Muito obrigada, mas prefiro sentar aqui no caixote mesmo. - Mandei vir prá cá! - Mas Dona Baby, da outra vez a senhora ficou me bulinando! - Bang! E o corpo da jornalista rolou pelo chão numa posição meio esquisita, mas muito sexy. - Tia Baby, a senhora matou a jornalista! Como é que fica a nossa propaganda institucional? - Dane-se! Manda o Zé da Grana comprar a revista Caracas e faz uma reportagem de dez páginas comigo! - Sim, senhora! Pois bem, Baby não era das drogas, a não ser um excelente havana, coisa que fumava com muito prazer, acompanhado de um Dreher e de minduím torrado. Os seus negócios estavam de vento em popa, e como em qualquer ramo de atividade, estavam topando na concorrência: - Como é que está o nosso Market Sharing, ou Marketing Share, ou outra merda qualquer que estes caras gostam de inventar para dizer coisa nenhuma? - O que eu quero saber é como é que está o tamanho da nossa fatia na pizza geral... Diz lá! Esta conversa era com o Zé da Grana, vice executivo das Organizações Baby, homem de passado ilibado, e revolucionário de primeira hora. Quer dizer, revolucionário de primeira hora no levante que Baby promoveu na prisão, tendo se destacado em sua eficiência na coleta nada sutil de grana que fazia dentre os outros presidiários - Normalmente quem não contribuia era o destaque no sopão do dia seguinte. - Seguinte: temos 38% por cento do mercado geral, sendo que estamos um pouco pior na prostituição, onde a Organização Mary & John está muito ativa... - Aqueles pilantras! Ah, se eu já tivesse operado da catarata, eles não tinha me enganado assim! Vamos começar com a "Operação Rabo de Rato"! - Rabo de Rato? - Tenho meus motivos! - Quero nome, endereço, telefone e email de todos os surfistinhas que trabalham para eles! Vamos oferecer ticket alimentação, vale transporte e auxílio velhice para todos os profissionais do sexo que aderirem. Vão ter direito a usar, inclusive, a nossa grife "Baby Look". - E quem não aderir? - A fábrica de salsicha ainda está funcionando? - Entendi... - Nós somos uma organização ecológica! Aqui não se perde nada! Aliás, a nossa linha de salsichas, linguiças e salames especiais como vai? - Baby, depende muito das operações também especiais. Tudo o que fabrica sai. Mas o insumo tem sido insuficiente... - Muito bem! Com a operação "Rabo de Rato", vai tudo melhorar!
A Operação foi um sucesso. O número de profissionais nas ruas diminuiu bastante, o que inflacionou o preço do atendimento, aumentando os lucros da boa velhinha, e ao mesmo tempo aumentou a produção da fábrica de salsicha, para o gáudio das classes abastadas que só queriam linguiça de marca. - Aliás, o seu gosto era ótimo! Por outro lado, Mary and John estavam irritadíssimos, principalmente porque sabiam que era coisa de sua inimiga rabal. Mas a sua reação só vamos conhecer no próximo capítulo...
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