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Baby Boom
O castelo erguia-se imponente em seus 40 metros quadrados no alto do morro. Construção insólita e de pedra, tinha duas torres de observação empilhadas encima de um único cômodo que era ao mesmo tempo quarto, sala de despachos e cozinha. Em volta, e até o sopé do morro, barracos entupiam tudo e impediam a subida de qualquer um que não fosse benvindo. - Tia, porque foi que você resolveu construir o seu barraco tão esquisito? - Esquisito? É a construção mais chique das redondezas! E olha a vista! Baby Ruby estava de bom humor. Conversava com o seu negão preferido enquanto tomava sol e via quantas vezes tinha aparecido na revista Caracas. - Ademais eu sou solteira, e sendo pequeno assim é mais fácil de limpar... - Limpar o quê? Isso aqui está um chiqueiro! - Negão safado... Só não te despacho porque tem ainda que cumprir função na única coisa para que ainda presta. Abusado! O negão sabia que a tia não era de demorar para mandar alguém desta para a melhor, de maneira que quieto ficou. - Olha lá tia, vem alguém subindo! - Arma o seu trabuco, e me traz a Maria Rita. Maria Rita era uma metralhadora daquelas antigonas, de filme americano, mas que Ruby gostava muito, e tinha mandado turbinar. Aquilo atravessava até chapa de aço, e a velha levava a bichinha até para baile em embaixada. - Impõe respeito, sabe? Mostra que sou uma senhora respeitável, mas de poucas conversas. - Falou mais alto, e Maria Rita pia. Já deu prá lá de 5 mil tiros. Menina boa, esta. Não engasga e não fumaça muito. - Tia, é uma encomenda prá senhora! - Então abre. - Eu? E se for bomba? - Melhor bomba na cara do que Maria Rita no rabo. Abre esta merda! - É um dedo, tia, e veio com um bilhetinho... - Dá aqui. “ Querida Senhora Ruby H. Himmler: Gostaríamos de restabelecer relações amistosas com as organizações Baby Ruby e, como prova de nossas boas intenções, estamos mandando um de nossos dedinhos gordinhos, que sabemos que a senhora queria muito. Sempre seus, John e Mary” - Sempre meus? Conversa... Se fossem já tinham virado feijoada há muito tempo! Mas deixa lá eu ver este dedo... - É do Joãozinho! É de verdade! Quanta amabilidade... será que eles vão mandar mais? - Prepara a panela! O negão saiu serelepe, achando que talvez, se tivesse sorte, podia ganhar até um pedacinho... No canto do cômodo inferior havia um daqueles fogões meia boca, mas que dava para o gasto. Quando Ruby queria um almoço mais elaborado, mandava subir uma buchada da fábrica de salsicha, onde, para ela, nunca faltava um acepipe especial. Lá de cima, Ruby ouvia o chiado da fritura e o cheiro que vinha do dedo e de seu recheio... - Mas... caraca! Isto é cheiro de... BUUUUMMMM! Baby Ruby, que estava, como já dissemos, tomando sol, se achava pois numa das torres que decolou como se fosse o segundo estágio de um foguete lunar. Sumiu no céu. Do negão não sobrou nada – Quando a polícia finalmente conseguiu ocupar o topo do morro, só havia uma cratera, nova característica que mudou imediatamente o nome da favela. - Virou o “Vulcão da Ruby”, termo que se referia anteriormente a uma peça anatômica da dita, mas que agora designava muito bem a nova geografia local.
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