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O Dedo e a Fortaleza
O Negão estava preocupado, porque Baby Ruby não estava em um de seus melhores dias. Alías, TPM perto daquilo seria um ligeiro mau humor. - Cadê o Janjão? Cadê este neguinho da peste? - Putz, a véia me quer de novo! - Janjão, vem fazer cafuné! - Se eu fosse macho, mandava prender esta safada por racismo, assédio e escravidão! - Falou alguma coisa, Janjão? - Não Dona Ruby, nada não... (não sou besta!) O fato é que as obras não terminavam nunca em sua nova fortaleza no Vulcão da Ruby que, como a querida leitora sabe, foi a cratera criada pelo dedo suicida. Até bateria antiaérea tinha. Comida tinha que ser provada antes pelo Janjão, que era pau para toda obra (toda mesmo...). Para alguém chegar a menos de um quilômetro da fortaleza tinha que passar por quatro barreiras, sendo que em volta da trilha que corria feito serpente por dentre os barracos até o topo do morro, estava tudo minado. De vez em quando algum incauto explodia, mas a assessoria de imprensa chamava aquilo de "danos colaterais", e parece que assim ficava tudo explicado. Mas Ruby estava de mau humor era por outra coisa... - John & Mary estão muito quietos... Será que ainda estão pensando que fui desta para a melhor? - Difícil... a boca do povo fala tudo, e esta fortaleza é visível desde os limites de Beirafim. Não tem jeito de não ser vista. Diga-se aqui que o pessoal da base militar fazia olhos grossos para as atividades no morro. Havia um trato implícito de que se um não se metesse com o outro, iria tudo bem... Além do mais, o poder de fogo da base militar não chegava a seis fuzis de 1918, sendo que deles quatro não funcionavam mais, e os outros dois viviam engasgando. Mas milico é milico, e se invoca, apronta mesmo! Assim, os dois poderios militares de Beirafim ficavam na sua, e let it be... Como as atividades de Baby eram extra-fronteiras, e o povo gastava era por ali mesmo, mau não causava, e a ética que se danasse. Mas Baby estava preocupada... o seu pessoal infiltrado no SIB (Serviço de Informações de Beirafim) tinha tido informes que John tinha estado no Oriente Médio e tinha negociado mísseis de médio alcance. Médio alcance para Beirafim significava que qualquer gaiato, lá dos cafundós do Judas conseguiria acertar o vazo sanitário do luxuoso banheiro da fortaleza. Assim, a presença de uma bateria de mísseis Patriot não fazia mal nenhum, e tornava as noites da matrona bem mais tranquilas. Mas tudo isto não era suficiente. Tinha que dar uma porrada antes, e de preferência definitiva, para acabar com a raça daqueles dois petulantes. E aquele negócio do dedo suicida não lhe saia da cabeça... E foi assim que Buby escreveu para os dois: "Queridos John and Mary: Continuo chateada com este mal estar entre nós, e tendo conseguido recuperar algumas células do mindinho do John, usei a alta tecnologia genética de Beirafim para gerar um dedo novinho em folha, o qual estou remetendo em geladeira portátil e que deve ser reimplantado de imediato na mão do John. Vocês podem fazer o exame que quiserem no dedo, desde explosivos, até venenos ou vírus. Não tem nada, fiquem tranquilos. Isto é apenas um gesto de boa vontade. Mas se apressem! Porque ele tem que ser reimplantado logo, e não terei formas de refazer esta verdadeira proeza científica. Além do mais, me custou os olhos da cara, e se não aproveitarem, vai custar a cara inteira de vocês!" - Dona Ruby, assim, com este mau humor, ninguém vai aceitar! - Fica frio Janjão! tem que ser um pouco realista, senão ninguém acredita. Deixa eu terminar... "Desculpem o acima, mas sou meio sem jeito para diplomacia mesmo. Espero que façam bom proveito!" - Despacha este trem logo, e vê se chega corretamente para aqueles calhordinhas! - Não estou entendendo... Agora a senhora está querendo agradar? - Quando você tiver um por cento da minha inteligência, vai me entender. Agora se despacha, negão! Janjão não era tão burro assim, e sabia que bom mesmo era fechar a matraca e fazer o que a velha estava mandando. (continua...)
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