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O Dedo Atômico
- Que saco esta neve toda! Era John falando com os seus próprios botões, ou melhor com o seu umbigo, pois estava peladão, abrigado em seu apartamento de cobertura, enquanto lá fora Manhattan congelava a menos 10 graus. Perdido em suas misérias e em seu tédio, nem notou quando Mary passou pela sala, e lançou o seu olhar 37A, de pura reprovação, não ao fato de que o irmão zanzava nú por ali, mas por sua barriga já volumosa para os seus nem trinta anos. - John, para de bancar o velho, bota uma roupa qualquer, e vai até a portaria, pois avisaram que chegou encomenda do Brasil. - Do Brasil? Deve ser feijão! Oba! Dez minutos depois voltava decepcionado, com uma caixinha que pelo tamanho, se tivesse feijão, não dava nem para uma feijoada meia-boca. - Olha aí, Mary, é uma caixinha mixuruca... - Para de se lamentar e abre esta droga! - Putz, está cheia de gêlo dentro, e tem um dedo! E é o meu dedo que você mandou para a Baby Ruby! Inconscientemente, colocou o dedo junto do pitoco que tinha sobrado na mão, e o mesmo se colou imediatamente, parecendo que nunca tinha saido dalí. - Seu louco! Você nem sabe o que é isto! Tira este dedo! - Não tiro! Está até se mexendo! Parece que nunca saiu do lugar. Que maravilha! - Me dá esta caixa, seu bestão – deixa eu olhar! - Olha, tem um bilhete, e é daquela velha safada! Rapidamente leu o seu conteúdo, e comentou: - Não acredito nem um pingo nesta velha sem classe! Fazer as pazes uma ova! Tem alguma coisa com este dedo! Ele não devia se colar assim. Parece coisa de alienígena... Mas John não estava nem aí. Olhava admirado para o seu dedo novinho em folha, que parecia mais gordinho do que nunca, e que já estava rosado, como o resto dos dedos de sua mão. - Que maravilhoso! Sabe que esta Ruby é até simpática? - Seu burro! Não vê que tem trampa nisto? Provavelmente está envenenado, ou vai virar um tentáculo, ou qualquer absurdo destes! - Você está é com inveja! E saiu serelepe, não parando de olhar para o seu novo dedinho. Mary trancou a cara, e começou a tentar descobrir o que é que estaria por traz de tamanha gentileza... O tempo passou, e o assunto também. Fez-se tarde, e os dois foram dormir. - Ahhhhhhrg! Socorro! Mary, me acode! A irmã, assustada com o grito em plena madrugada, corre para o quarto do irmão, e se depara com uma cena absolutamente comum – O irmão estava com o dedo no ouvido. - Para que este escarcéu? Ficou maluco? - O dedo não quer sair do meu ouvido! - Ficou doido? Tira do dedo daí! - Não sai! Me ajuda! Mary, muito da contrafeita, foi se esfalfar junto com o irmão para tirar o dedo do ouvido. Após muito puf-puf e muita força, conseguiram, mas foi alívio de curta duração, pois o dedo se enfiou logo no nariz de Mary, que começou a gritar: - Eca! Eca! Tira esse dedo daí, seu nojento! O dedo estava enfiado até o talo dentro do nariz de Mary, que furibunda puxava a mão de John, mas sem conseguir nada. Este, também assustado, fazia de tudo, mas o dedo não desentocava de jeito nenhum! - Filho de uma coisa ruim! Tira a porcaria deste dedo do meu nariz, senão eu lhe furo de bala, e é já! - Não, Mary, pelo amor de Deus! O dedo funciona sozinho, e pelo menos ele está preso na minha mão, por que senão ele ia até o seu cérebro! - Saco! A voz de Mary estava fanha, e parecia que ela estava dizendo “Faco”. John não conseguiu segurar o riso, que terminou rápido com o bofete que ganhou de uma Mary já para lá de pê da vida! - Famo de nofo! Forfa! Num rompante, e usando todas as suas forças, os dois conseguiram. Mary deu um salto para trás, mas o dedo tinha vida própria e já estava querendo o seu fiofó. John parecia um fantoche arrastado pelo dedo, que já corria atrás da apavorada jovem. - Não! Não! E foi uma correria pelo apartamento. - O meu fiofó não! E taca que corre, e corre e corre, e foram parar na cozinha, e aquela correria em torno da mesa, até que os dois conseguiram dominar a mão. - Tá de jeito! Segura esta porra desta mão encima da mesa! - Ai, ai! Você vai cortar meu dedo de novo? Não! - Isso aí, não é dedo – é um estuprador! Facão não faltava na cozinha, e foi rápido! - Vapt! - Ui, ui, meu dedinho! Você cortou ele de novo! - Cala a boca, débil mental! Deixe-me olhar para esta coisa! O dedo solto na mesa, parecia com um rabo de lagartixa. Já viu um destes, não? A gente corta mas ele continua se mexendo sozinho... - Traz uma granada! - Traz uma granada, seu débil de merda! - Tá bem, tá bem... Trazida o petardo, e colocado junto ao dedo lagartixa, os dois se mandaram, e só ouviram aquele BOOOM, que deveria ter realizado o serviço. Foi booom mesmo! Da cozinha só sobrou um pretão, um vazio, onde tinha aquela onda toda de rico, com micro ondas de última geração, bate-bolo, bate-suco, bate-saco, bate qualquer coisa, e as facas todas, e a louça da onda, e não sobrou nada! Nem do dedo sobrou nada! - O que foi motivo de alívio... Mary estava buzunta da vida por ter perdido a sua cozinha de milhão de dólares, mas o alívio de ter se livrado do dedo atrevido superava qualquer sensação de perda, e manter o seu fiofó virgem pelo menos de dedinho maluco já era uma grande! - Esta veia fedepê me paga! E foi ruminar uma forma de dar o troco á veia Baby, que com seu serviço de informações e satélite dedicado, já sabia do estrago na mansão aérea de Manhattan, e tinha se deliciado. - Não perde por esperar... Em quinze dias uma nova cozinha, desta vez de dois milhões de dólares já estava instalada, tudo lindo, mas ninguém tinha reparado que havia sobrado uma celulazinha, uma única celulazinha do dedo maluco, que ficou cravado na parede da dispensa e que ainda iria dar muito pano para as mangas... (continua em algum momento propício...)
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